A boa gestão estava presente no Japão

Quem me conhece sabe que sou santista. E como todo santista assisti, e sofri, com o jogo do último domingo.

Mas como consultor em gestão, muitas boas práticas estavam ali se apresentando e não tenho como não admirar um time que faz tudo aquilo que louvamos no mundo das empresas. Isso sem falar no bom futebol, que eu como amante da arte, não posso deixar de admirar: desde 1982, com a seleção do Telê, não via um time tão bom!

A diretoria do Barcelona afirma que o time pratica o que aprendeu com o futebol brasileiro, um jogo de toques rápidos e categoria: benchmarking puro! E o mais interessante é que nós, que somos a inspiração, desaprendemos.

Mas me admirei com várias outras características do time espanhol.

Uma delas é a visão de que um time não se faz com um ou dois craques e vários cabeças de bagre: o time do Barcelona tinha 11 jogadores que sabiam tocar a bola fantasticamente, desde o goleiro até o Messi. São 11 ótimos jogadores, que trocaram incríveis 800 passes ao longo do jogo, praticamente sem errar. Empresas que querem se destacar no mundo atual, tem que pensar a respeito: só um "Neymar" na frente não resolve... O mundo de hoje precisa de funcionários inteligentes em todas as funções, atuando de forma diferenciada e buscando o melhor sempre!

Outra coisa interessante é o espírito de equipe. Embora seja um time de craques, todos os jogadores atuam em conjunto, não há nenhuma "estrela". Todos, quando estão sem a bola, marcam. Mesmo ganhando de 3, o time catalão não deixava de marcar sob pressão o Santos, nos poucos momentos em que meu time tocou na bola. Em compensação, dificilmente vi o Ganso, só para dar um exemplo, tentando marcar os jogadores do Barça. É comum no Brasil essa coisa de craques acharem que marcar é coisa para os outros, não entenderem que em um time todos são responsáveis pelo sucesso (ou pelo fracasso).

Por fim, sempre ouvi que um time não aguenta marcar sob pressão e tocar a bola em passes rápidos, sem parar, um jogo inteiro. Os especialistas sempre comentam que não há preparo físico que resista a este teste. O Barça mostra que isto não é verdade, que é possível com boa preparação. O Barça mostra que não são apenas os jogadores, mas também a estrutura por trás, que faz a diferença. Uma empresa não sobrevive só com técnicos, precisa de um RH, de um jurídico, de um financeiro, tudo trabalhando em uníssono pelo sucesso de todos. E o Barcelona é um grande exemplo.

Esse jogo entrará para a história, não apenas pela questão futebolística, mas pela lição de gestão da equipe espanhola. Equipe formada praticamente por "pratas da casa", muito bem preparados por um staff de primeira.


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