Sou um amante da F1, desde os tempos em que era criança e via o Fittipaldi com sua Copersucar, único carro de equipe nacional da história. Depois veio o Piquet, seu tricampeonato e aí nunca mais deixei de ser um fã da velocidade. A tragédia do Senna trouxe alguma tristeza, e reflexões, mas continuei seguindo a F1.
Este ano provavelmente finda a carreira do Rubinho na F1. Uma carreira frustrante de alguém que poderia ter chegado muito mais longe. Mas também de alguém que não teve sorte, não soube aproveitar as oportunidades que a vida lhe apresentou e teve posturas profissionalmente questionáveis.
O Rubinho não é um piloto ruim. Ouso dizer que ele não era pior que alguns campeões medíocres, que chegaram lá graças ao carro incrível que tinham. Lógico que ele não é um Senna ou um Piquet, mas é um piloto dentro da média da F1.
Mas a história do Rubinho foi um caminho cheio de erros. Começou aceitando um destaque não merecido pela Globo, ávida em nomear um sucessor para o falecido Airton, coisa que ele nunca deveria ter permitido. Senna foi único e o Rubinho sempre soube disso. Provavelmente, toda as piadas que ele sofre hoje advém desse papel de "futuro grande campeão" que ele assumiu, sem ter nada ainda na carreira que justificasse. Como sempre comento com meus alunos, melhor uma carreira com crescimento contínuo e gradual, baseada em méritos, do que uma carreira meteórica sem base: alguma hora quem chega a um lugar alto sem preparo acaba sendo identificado e expurgado da estrutura, e não será fácil para alguém que foi gerente ou diretor voltar à base da pirâmide, porque empresas relutam muito em contratar alguém em uma posição inferior à de um emprego anterior...
Rubinho também fez escolhas erradas na carreira, trocando equipes exatamente no momento que elas cresceram. Mas isso também deveu-se a um pouco de falta de sorte, sorte que sempre se faz presente na vida dos grandes vencedores.
Mas o grande erro da vida do Rubinho foi seu "convívio" com Schumacher na Ferrari. Devemos ser humildes sempre e aproveitar ao máximo todas as experiências que podemos ter. Rubinho esteve ao lado do maior piloto de todos os tempos da F1, isso deveria ser um sonho para qualquer corredor. Ele não tinha ainda cacife no início da história da Ferrari para querer ser um piloto no nível do já bicampeão Schumi. Se tivesse sido mais esperto, teria aproveitado a grande oportunidade de aprender ao máximo, sendo parceiro e fiel escudeiro de alguém tão marcante quanto o alemão. Mas tomou o caminho de ser "contra" e não havia essa opção na Ferrari, principalmente depois do alemão ter dado à escuderia italiana o título que há tantos anos ela não ganhava. O mundo hoje é livre e ninguém é obrigado a trabalhar onde não quer. Se o Rubinho não gostava da posição de segundo piloto, deveria ter mudado de equipe. Ao continuar na Ferrari, porque era a equipe mais competitiva, deixou de respeitar a meta de todos daquela empresa, que era trabalhar para o Schumi.
Mas para mim o grande erro do Rubinho foi naquela famosa corrida em que recebeu ordem para deixar o Schumi passar e ele obedeceu, mas na última curva, da forma mais explícita possível. Foi a partir daquele dia que eu deixei de defender o Rubinho nas rodas de amigos. Naquele dia, ele tinha duas opções possíveis:
- ir contra à própria empresa, em favor das regras de esportividade, ganhar a corrida e arcar com as consequências de sua indisciplinada coragem. Tenho certeza que Piquet, Senna, Prost ou Schumacher teriam esta postura;
- fazer o que era melhor para a equipe, obedecer a hierarquia e fazê-lo da forma mais discreta possível, para não prejudicar quem lhe pagava um ótimo salário. Depois, poderia discutir com a equipe aquela ordem, mas em uma discussão interna.
O pior é que, por várias vezes, ele veio criticar a empresa em que trabalhava pela imprensa. Nada menos profissional. Não estou dizendo que ele deveria ser obediente a tudo que lhe era imposto, ele deveria sim questionar e lutar pelo que achava certo, mas DENTRO DA EMPRESA, "roupa suja se lava em casa". Se ele não estivesse mais satisfeito com as escolhas da empresa em que trabalhava, e não conseguisse uma mudança através de uma conversa interna, deveria buscar uma outra empresa e não ficar criticando quem lhe pagava o salário pela TV.
É uma pena que alguém que poderia ter ido muito mais além, tenha feito tantas escolhas questionáveis. E que termine a carreira de forma tão triste, ignorado por todas as equipes. Rubinho é uma pessoa boa, isto é claro, e sempre torci por ele por este motivo. Mas faltou a ele uma postura profissional esperada para alguém em posição de tamanho destaque e não teríamos como esperar um final de carreira muito diferente disso, infelizmente.
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