Qualidade e Gestão - Arquivo 02/2012

28
Feb
2012

A fábula dos porcos assados

O que não pode ocorrer em um planejamento estratégico

 Abaixo um texto retirado desta página, de autoria de Marcos Cintra. Ilustra bem como as empresas podem errar ao não pensar fora da caixa em programas de planejamento estratégico.

"CERTA VEZ, ocorreu um incêndio num bosque onde havia alguns porcos, que foram assados pelo fogo. Os homens, que até então os comiam crus, experimentaram a carne assada e acharam-na deliciosa. A partir daí, toda vez que queriam comer porco assado, incendiavam um bosque. O tempo passou, e o sistema de assar porcos continuou basicamente o mesmo.

Mas as coisas nem sempre funcionavam bem: às vezes os animais ficavam queimados demais ou parcialmente crus. As causas do fracasso do sistema, segundo os especialistas, eram atribuídas à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam, ou à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou, ainda, às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.

As causas eram, como se vê, difíceis de determinar - na verdade, o sistema para assar porcos era muito complexo. Fora montada uma grande estrutura: havia maquinário diversificado, indivíduos dedicados a acender o fogo e especialistas em ventos - os anemotécnicos. Havia um diretor-geral de Assamento e Alimentação Assada, um diretor de Técnicas Ígneas, um administrador-geral de Reflorestamento, uma Comissão de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias e o Bureau Orientador de Reforma Igneooperativas.

Eram milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento oportuno.

Um dia, um incendiador chamado João Bom-Senso resolveu dizer que o problema era fácil de ser resolvido - bastava, primeiramente, matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então sobre uma armação metálica sobre brasas, até que o efeito do calor - e não as chamas - assasse a carne.

Tendo sido informado sobre as idéias do funcionário, o diretor-geral de Assamento mandou chamá-lo ao seu gabinete e disse-lhe: "Tudo o que o senhor propõe está correto, mas não funciona na prática. O que o senhor faria, por exemplo, com os anemotécnicos, caso viéssemos a aplicar a sua teoria? E com os acendedores de diversas especialidades? E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os desenhistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar?

E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado no Programa de Reforma e Melhoramentos? Que faço com eles, se a sua solução resolver tudo? Hein?."

"Não sei", disse João, encabulado.

"O senhor percebe agora que a sua idéia não vem ao encontro daquilo de que necessitamos? O senhor não vê que, se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo?."

"O senhor, com certeza, compreende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas? O que o senhor espera que eu faça com os quilômetros de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos e nem têm folhas para dar sombra? E o que fazer com nossos engenheiros em porcopirotecnia? Vamos, diga-me!".

"Não sei, senhor."

"Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia dizendo por aí que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua idéia - isso poderia trazer problemas para o senhor no seu cargo."

João Bom-Senso, coitado, não falou mais um "a". Sem despedir-se, meio atordoado, meio assustado com a sua sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu de fininho e ninguém nunca mais o viu. Por isso é que até hoje se diz, quando há reuniões de Reforma e Melhoramentos, que falta o Bom-Senso."


Pois é, na minha experiência como professor e consultor, já vi muitas vezes empresas desperdiçando muito tempo e dinheiro em processos como o acima. É sempre importante olhar os problemas de outro ângulo, sair da caixa, para ver se aquilo é realmente uma melhoria significativa ou se estamos apenas tentando uma sobrevida para algo que não faz mais sentido.

No planejamento estratégico, em especial, é essencial olharmos para os indicadores relevantes para a empresa, e não na eficácia do "incêndio da floresta". Só medindo o que realmente importa e desenvolvendo ações que melhorem o que o cliente e acionistas recebem é que nosso trabalho estará valendo a pena.

 

 

13
Feb
2012

Resumo Semanal – Economia – 05 a 11 de fevereiro

                No começo da semana tivemos o término do leilão de aeroportos, que culminou em uma arrecadação de 24,5 bilhões de reais, com um ágio de 347%. O Itaú-Unibanco também superou expectativas anunciando que os resultados financeiros de 2011 bateram recorde de lucro e que fará uma oferta para adquirir a totalidade das ações da Redecard, da qual detém 50% do capital.

                Terminou na quinta-feira o impasse sobre as reformas na Grécia: os lideres políticos chegaram a um acordo sobre medidas de austeridade para assegurar o resgate e manter o país de pé.

                Sexta-feira a Petrobras teve uma forte queda em suas ações, como reação do balanço do último trimestre de 2011, muito aquém do esperado, levando a uma queda de 1,9% na Ibovespa. O Dólar teve sua primeira semana de alta em 2012, acompanhando a tendência internacional de aversão aos ativos de risco.

6
Feb
2012

Resumo Semanal – Economia – 29 de janeiro a 04 de fevereiro

                 Começando a semana tivemos a noticia que a economia espanhola registrou uma baixa no crescimento no ultimo trimestre de 2011, com uma queda do seu PIB de 0,3%, agravando ainda mais a crise espanhola. Em situação diferente encontram-se os Estados Unidos, onde a economia norte americana registrou a maior geração de emprego dos últimos nove meses, e em janeiro a taxa de desemprego do país caiu a 8,3 por cento.

                O banco central informou terça-feira, que o setor público registrou um superávit primário de 128,710 bilhões em 2011, atingindo e superando a meta de 127,9 bilhões. A venda de carros no país também superou expectativas e bateu recorde para o mês de janeiro, com um crescimento de 10% nas vendas, comparado com o ano de 2011.

                Ainda na indústria automobilística, quinta-feira o Brasil anunciou que estuda a possibilidade de rever e até suspender o acordo automotivo com o México, que isenta veículos da taxa de importação de até 35%, cobrada sobre carros de fora do México e do Mercosul.

3
Feb
2012

Fechar o país para concorrência

Um caminho preocupante

Durante a ditadura militar, entre 64 e final dos anos 80, vigorou no Brasil a política de substituição de importações. Esta política fechava o país para produtos importados em prol do desenvolvimento da indústria nacional.

Mas os resultados dessa política nunca foram totalmente positivos. Na área automotiva, sem medo da concorrência, nossas indústrias se acomodaram com produtos muito antigos e chegamos ao início dos anos 90 com o Collor chamando, de forma muito justa, nossos carros de carroças. Na área de informática os resultados foram ainda piores: não apenas não criou-se uma indústria nacional com o mercado fechado, mas também prejudicou-se todo o país, que não tinha acesso a produtos de informática compatíveis com o que era ofertado em preço e capacidade no resto do mundo.

A guinada da presidente Dilma na área automotiva preocupa, pois é uma volta a uma estratégia que já provou não funcionar. Primeiro veio o aumento dos impostos no ano passado para os importados. E agora a ameaça de cancelar um acordo de comércio com o México. No longo prazo, acordos com países em desenvolvimento deveriam ser uma prioridade, como uma chance de despolarizar o comércio norte-sul e evitar que fiquemos sujeitos a pressões de países muito mais poderosos.

É lógico que nossa indústria vive um momento preocupante, mas não são barreiras que vão colocá-la em situação melhor. Nem a Anfavea, a associação das montadoras apoia essa ação. O governo não deve intervir na concorrência evitando que ela ocorra, mas sim ajudando as nossas empresas a ser mais competitivas: ações de diminuição do custo Brasil, melhorias na infra-estrutura, diminuição de impostos, isso sim deveriam ser as ações prioritárias do governo.

3
Feb
2012

Nossa opção é pela qualidade

Dez anos dando cursos de Seis Sigma com resultados

Há dez anos existem os cursos de Seis Sigma da UNICAMP dos quais somos parceiros. De lá para cá, muita coisa mudou na área de Seis Sigma. Deixou de ser uma metodologia "nova" e quase só existente em grandes multinacionais e virou o dia a dia para muitas empresas de todos os tamanhos que buscam melhores resultados com menores custos. Mas Seis Sigma, em si, não mudou.

Seis Sigma foi estruturado pela Six Sigma Academy (SSA) norte-americana. Foi o modelo da SSA que estruturou a revolução na GE, por exemplo. E foi nesse modelo que inspiramos nosso treinamento.

Está no âmago do Seis Sigma ser prático, hands on. Toda a implantação clássica de Seis Sigma integrou os treinamentos à projetos sendo conduzidos na prática das empresas. E seguindo o modelo da SSA, só é Green ou Black Belt quem desenvolve um projeto com resultados financeiros significativos para sua empresa. Pois, alinhado a tudo que se ensina no curso, o que importa é o resultado, e um Green ou Black Belt não é apenas um conhecedor de metodologia. É um profissional que recebeu esse certificado porque é capaz de REALIZAR. É por este motivo que a comunidade séria de Seis Sigma renega, completamente, certificações baseadas apenas em provas: não é esse o espírito do Seis Sigma.

Preocupa-nos ver algumas empresas vendendo cursos expressos, pois isso pode denegrir a imagem de uma metodologia tão eficaz. Chegamos a observar ofertas de Green Belts em dez dias! Nossa prática na formação de centenas de Green e Blacks já mostrou que o conteúdo é muito grande, profundo, exige uma forma nova de pensar. E que isso leva tempo. Também já comprovamos que para um bom resultado, é essencial que ao longo do curso, em paralelo com a teoria, o aluno experimente Seis Sigma com o projeto: embora na aula as ferramentas pareçam claras, é durante a execução prática que as maiores dúvidas surgem, dúvidas que nossos instrutores esclarecem ao longo do próprio curso, em uma "consultoria gratuita" que fazemos com grande prazer. Para isso ser possível, as turmas tem que ser pequenas, para que os instrutores possam atender a cada aluno individualmente: nunca deixamos nossas turmas crescerem, em uma busca pela manutenção da qualidade dos cursos.

Nosso curso nunca foi o mais barato, nem o mais rápido, e sempre exigiu um projeto associado. Acreditamos em Seis Sigma, acreditamos em todo o arcabouço criado pela SSA, e certificar alguém como Green ou Black é assinar embaixo que é um profissional com potencial para fazer projetos com ganhos significativos para seus empregadores. É assim que são os alunos que passaram por nossos cursos.

Muitos poderiam imaginar que a concorrência com preços menores e cursos rápidos nos impactou. Mas fico muito feliz ao perceber que a efetividade é nosso maior marketing, que são nossos ex-alunos nossos maiores divulgadores. E, semestre após semestre, há muitos anos, sem investimento em marketing e sem nenhum tipo de promoção, sempre temos nossas turmas formadas e sempre conseguimos ajudar muitas empresas a ter maiores resultados. Ao longo dos projetos executados nestes anos por nossos alunos, conseguimos vários milhões de dólares para as empresas onde foram desenvolvidos. Este semestre, em particular, estamos vivenciando uma procura nunca antes vista, o que mostra que fizemos a opção certa pela qualidade: oferecer um curso que apresenta a teoria a fundo, com instrutores com grande experiência prática e com projetos reais sendo desenvolvidos. Será muito bom acompanhar mais algumas dezenas de projetos neste início de 2012 e gerar mais milhões de dólares para as empresas que acreditaram em nossos cursos.

Sejam bem vindos, novos alunos!


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