Um caminho preocupante
Durante a ditadura militar, entre 64 e final dos anos 80, vigorou no Brasil a política de substituição de importações. Esta política fechava o país para produtos importados em prol do desenvolvimento da indústria nacional.
Mas os resultados dessa política nunca foram totalmente positivos. Na área automotiva, sem medo da concorrência, nossas indústrias se acomodaram com produtos muito antigos e chegamos ao início dos anos 90 com o Collor chamando, de forma muito justa, nossos carros de carroças. Na área de informática os resultados foram ainda piores: não apenas não criou-se uma indústria nacional com o mercado fechado, mas também prejudicou-se todo o país, que não tinha acesso a produtos de informática compatíveis com o que era ofertado em preço e capacidade no resto do mundo.
A guinada da presidente Dilma na área automotiva preocupa, pois é uma volta a uma estratégia que já provou não funcionar. Primeiro veio o aumento dos impostos no ano passado para os importados. E agora a ameaça de cancelar um acordo de comércio com o México. No longo prazo, acordos com países em desenvolvimento deveriam ser uma prioridade, como uma chance de despolarizar o comércio norte-sul e evitar que fiquemos sujeitos a pressões de países muito mais poderosos.
É lógico que nossa indústria vive um momento preocupante, mas não são barreiras que vão colocá-la em situação melhor. Nem a Anfavea, a associação das montadoras apoia essa ação. O governo não deve intervir na concorrência evitando que ela ocorra, mas sim ajudando as nossas empresas a ser mais competitivas: ações de diminuição do custo Brasil, melhorias na infra-estrutura, diminuição de impostos, isso sim deveriam ser as ações prioritárias do governo.
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