Qualidade e Gestão - Arquivo 2011

22
Dez
2011

A indústria automotiva do Brasil

Tem algo errado demais nesse setor!

Já falei neste blog sobre o preço insensato de carros no país  (vide aqui). Ainda na última semana fui ver o preço de carros e quase caí para trás quando uma vendedora me disse que o preço de um carro pequeno, "popular" era 39.000, mas que era justificável, porque tinha ar, direção, etc. e tal. Fico imaginando quem tem coragem de pagar um preço desse por um carro que na europa não valeria dez mil euros ou nos EUA não é nem vendido, por ser tão pequeno... Os brasileiros precisam começar a se revoltar com isso!

O pior é que nossos carros, além de muito caros, são ruins. A matéria apresentada neste link, por exemplo, mostra que são carros com um nível de segurança prá lá de ultrapassado e inaceitável em países desenvolvidos. E a matéria disponível neste link é bastante ilustrativa ao mostrar que o problema não se limita aos automóveis.

Abaixo, uma sequencia de matérias mostra que não há justificativa razoável para o preço mais caro aqui, a não ser excessivo lucro mesmo. E um povo que paga demais por coisas ruins:

Tem muita gordura pra queimar

Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo

Por que o carro é mais barato na Argentina e no Chile?

Está na hora do consumidor brasileiro entender que pode consumir, mas é preciso ter maior consciência e ser mais crítico, não gastando tanto dinheiro em coisas que não tem o valor pedido. O Brasil não pode continuar sendo tão caro, pois essa situação está se tornando insustentável.

22
Dez
2011

As lições do futebol

A boa gestão estava presente no Japão

Quem me conhece sabe que sou santista. E como todo santista assisti, e sofri, com o jogo do último domingo.

Mas como consultor em gestão, muitas boas práticas estavam ali se apresentando e não tenho como não admirar um time que faz tudo aquilo que louvamos no mundo das empresas. Isso sem falar no bom futebol, que eu como amante da arte, não posso deixar de admirar: desde 1982, com a seleção do Telê, não via um time tão bom!

A diretoria do Barcelona afirma que o time pratica o que aprendeu com o futebol brasileiro, um jogo de toques rápidos e categoria: benchmarking puro! E o mais interessante é que nós, que somos a inspiração, desaprendemos.

Mas me admirei com várias outras características do time espanhol.

Uma delas é a visão de que um time não se faz com um ou dois craques e vários cabeças de bagre: o time do Barcelona tinha 11 jogadores que sabiam tocar a bola fantasticamente, desde o goleiro até o Messi. São 11 ótimos jogadores, que trocaram incríveis 800 passes ao longo do jogo, praticamente sem errar. Empresas que querem se destacar no mundo atual, tem que pensar a respeito: só um "Neymar" na frente não resolve... O mundo de hoje precisa de funcionários inteligentes em todas as funções, atuando de forma diferenciada e buscando o melhor sempre!

Outra coisa interessante é o espírito de equipe. Embora seja um time de craques, todos os jogadores atuam em conjunto, não há nenhuma "estrela". Todos, quando estão sem a bola, marcam. Mesmo ganhando de 3, o time catalão não deixava de marcar sob pressão o Santos, nos poucos momentos em que meu time tocou na bola. Em compensação, dificilmente vi o Ganso, só para dar um exemplo, tentando marcar os jogadores do Barça. É comum no Brasil essa coisa de craques acharem que marcar é coisa para os outros, não entenderem que em um time todos são responsáveis pelo sucesso (ou pelo fracasso).

Por fim, sempre ouvi que um time não aguenta marcar sob pressão e tocar a bola em passes rápidos, sem parar, um jogo inteiro. Os especialistas sempre comentam que não há preparo físico que resista a este teste. O Barça mostra que isto não é verdade, que é possível com boa preparação. O Barça mostra que não são apenas os jogadores, mas também a estrutura por trás, que faz a diferença. Uma empresa não sobrevive só com técnicos, precisa de um RH, de um jurídico, de um financeiro, tudo trabalhando em uníssono pelo sucesso de todos. E o Barcelona é um grande exemplo.

Esse jogo entrará para a história, não apenas pela questão futebolística, mas pela lição de gestão da equipe espanhola. Equipe formada praticamente por "pratas da casa", muito bem preparados por um staff de primeira.

27
Set
2011

Depoimento - Humberto Bassan, PMP

Continuando a série de depoimentos de nossos alunos, temos mais um: Humberto Bassan, PMP.

"Comento abaixo um pouco de como foi para mim o processo desde o início da candidatura, passando pela etapa dos estudos e por fim a prova, minhas opiniões e sugestões. O texto ficou extenso mas o objetivo é ajudar quem tem intenção de se certificar.

De início já devo citar que não se trata de uma fórmula fixa e consolidada que deve ser simplesmente repetida por qualquer interessado em obter o certificado PMP. Estou seguro que cada pessoa deve observar as experiências e dicas, mas criar o seu próprio processo, adaptado às suas condições e características.

Treinamento:

Um dos pré requisitos para a a candidatura é ter uma quantidade mínima de horas de treinamento que são importantíssimas para se ter uma visão geral do PMBOK. O treinamento em si não eliminou a necessidade de muito estudo, mas serviu no meu caso para dar esta visão do PMBOK, dos processos, ferramentas, etc. Isto foi a base inicial dos meus estudos e foi muito válido e importante.

Candidatura:

É uma etapa importantíssima pois aqui é feita a validação se a pessoa é um candidato apto ou não para fazer a prova. Eu fiz todo o processo e só depois de ter a confirmação por parte do PMI que eu era um candidato apto iniciei os estudos.

Marcação da Prova:

Eu marquei a minha prova para uma época em que estava ocorrendo uma atualização do exame e a data que escolhi foi poucos dias antes do limite para a mudança de versão, ou seja, apesar de existir a possibilidade de alteração da data da prova eu tive que descartar esta hipótese uma vez que se houvesse postergação eu teria que rever tudo o que estudei devido à mudança da versão. Isto reforçou a noção de prazo limite e me gerou uma "auto cobrança" que ajudou muito no processo. A quem marca a prova eu sugiro que considere a data como inalterável para causar esta mesma sensação que ajuda muito a cumprir os prazos, apesar da pressão.

Estudos:

Sobre o idioma, optei por estudar todo o material em Inglês e fazer a prova também em Inglês, sem assistência do Português para evitar confusões e equívocos decorrentes de tradução. Fiz o mesmo em outras certificações que prestei e a experiência foi boa. Optei por repetir na certificação PMP.

Fiz um planejamento simples das etapas que eu deveria cumprir (sequência de estudos) e o prazo estimado para a conclusão de cada etapa.  Este planejamento foi importante para ganhar tempo durante os estudos e eu conseguir controlar se estava atrasado ou em dia. Para ajudar a ganhar tempo também planejei uma sequência própria para os estudos (Li primeiro o livro da Rita, na sequência li o PMBOK, voltei a ler o livro da Rita fazendo os exercícios de cada capítulo, depois fiz todos os exercícios simulados do livro da Rita, primeiro capítulo a Capítulo e depois refiz novamente todos os simulados - a esta altura eu praticamente já havia lido o livro da Rita mais uma vez - e por fim parti para o simulados (cerca de 4 simulados completos e alguns outros parciais).

Utilizei para me preparar para a prova basicamente o material da Rita, o PMBOK e os simulados e pude perceber a importância de um livro complementar pois na minha interpretação o PMBOK é quase que como um manual, com o detalhamento de todos os processos, ferramentas, etc, e sem uma abordagem voltada para a prova e algumas vezes também não para a aplicação prática das teorias. O livro da Rita auxiliou muito tanto a entender a abordagem do conteúdo na prova e até a aplicação prática das teorias. Também pude perceber que a experiência com projetos ajuda muito porém pode ser uma cilada na medida que o profissional experiente pode ter criado ao longo da sua carreira alguns vícios e conceitos que podem até ser bons ou estarem corretos, mas se estiverem em desacordo com o PMBOK precisam ser revistos para que não causem prejuízos na prova. A falta de experiência em algum ponto também atrapalha muito e nestes casos compensei a falta de experiência com muito estudo, exercícios e simulados destes tópicos.

Quanto à "decoreba" realmente não dá para escapar de decorar algumas coisas. Obviamente o ideal é entender os conceitos na profundidade e isto evita a necessidade de decorar muita coisa, mas para o que não tem como evitar a dica é aproveitar os primeiros minutos da prova (que são utilizados para um tutorial) para anotar nas folhas de rascunho aquilo que se tem mais dúvida ou dificuldade, incluindo a que se teve de decorar para facilitar a execução da prova.

Sobre a parte de custos vale um comentário à parte: tem muita fórmula, mas elas fazem sentido e se o entendimento das fórmulas estiver muito sedimentado, é possível conclui-las sem decoreba. Recomendo muito isto pois quando os conceitos estão muito claros não é necessário ficar procurando nas fórmulas e sim raciocinar. 

Simulados:

Os simulados são parte fundamental do estudo e precisam ser feitos pois eles dão uma noção muito mais clara de como será a prova por dois principais motivos:

a) Tempo: Pode parecer que há tempo de sobra para se responder 200 questões em 4 horas, mas na realidade o tempo não é tão grande assim e os simulados ajudam a entender se a velocidade das respostas às questões está adequada e até mesmo dá condições de controlar o ritmo durante a execução da prova;

b) Questões Aleatórias: Durante os estudos é comum tratar os processos ou áreas de conhecimento individualmente e isto pode induzir no acerto de algumas questões pelo simples fato de se saber a qual o processo ou área de conhecimento aquela questão se refere. Na prova as questões são aleatórias e não indicam o processo ou a área de conhecimento ao qual pertencem e o simulado demonstra bem como isto vai funcionar na hora da prova.

Ao término dos simulados eu obviamente repassava todas as questões erradas para entender o porquê do erro e qual seria a resposta correta e a explicação, mas também repassava todas as questões certas para sedimentar o conhecimento e ter certeza que o acerto foi conciente e não um "chute".

A prova:

A prova em si é muito cansativa e como falei os simulados ajudam a dar uma noção exata de como vai ser a prova e se você está no ritmo certo, se precisa acelerar ou se tem um pouco de folga para umas pausas de descanso. Como também já citei há um tutorial no início e o tempo pode ser usado para passar para o papel os pontos mais complexos, fórmulas ou ítens que havia a necessidade de decorar.

O resultado da prova me foi apresentado ao término, logo após eu preencher uma pesquisa de satisfação. O mesmo resultado é também impresso e entregue impresso por uma pessoa responsável.

Uma última dica que passo é entrar para a prova com a cabeça descansada, dormir bem no dia anterior e evitar muito estudo de última hora, que no meu caso só aumentou a tensão, até que resolvi desistir e confiar no que eu havia estudado até então.

Espero que a minha experiência de certificação possa auxiliar os futuros certificados nesta complexa, mas gratificante etapa.

Um grande abraço a todos. Desejo boa sorte nos estudos e na prova e fico a disposição para dúvidas ou ajuda.

Humberto Bassan, PMP"

Meus parabéns Humberto! Agradecemos o seu depoimento! Muito sucesso na carreira!

20
Set
2011

Depoimento - Eurico Gonçalves, PMP

Segue mais um depoimento, feito por Eurico Gonçalves, PMP. 

"No meu caso, eu fiz a preparação para o exame em Julho/Agosto 2010 e estava preparado para fazer a prova em Setembro, mas devido a mudanças profissionais, tive que postergar minha prova para Julho/2011. Em ambas as vezes, usei tanto o material da Auctus quanto o livro da Rita, além do próprio PMBOK. Tenho que reconhecer que o curso da Auctus é de excelente qualidade, pois, tanto o material didático quanto o instrutor refletem o que existe de mais moderno no mercado, realmente abrindo os horizontes para conceitos e práticas que são aplicáveis não só para a prova, mas também para o dia-a-dia do mercado de trabalho.

Durante ambos os períodos de estudo, fiz mapas mentais para cada processo, detalhando todas as entradas e saídas, bem como os principais pontos extraídos das aulas e do livro da Rita.

No dia da prova, eu estava bem nervoso não só por conta da responsabilidade, mas também pelo grande congestionamento que peguei para chegar até o centro de teste. Quando sentei para fazer a prova tive que me acalmar, pois, quase finalizei a prova sem ter respondido a nenhuma pergunta! Fiz a prova em 3h30min e aproveitei o tempo restante para rever as perguntas e finalizei faltando apenas 30 segundos. Quando saiu o resultado da aprovação, tive uma sensação de dever cumprido fantástica.

Agradeço mais uma vez a todos da Auctus que sempre me deram a atenção e apoio necessários para que eu pudesse vencer mais essa etapa na minha vida.

Um fraternal abraço,

Eurico Gonçalves, PMP"

Meus parabéns Eurico! Muito sucesso na sua carreira!

19
Set
2011

Planejamento e estoques

E como a gestão pública ainda pode melhorar

Está sendo construído um polo petroquímico gigante no interior do RJ, em Itaboraí. Uma obra dessa dimensão demanda um gerenciamento de projetos extremamente completo e cuidadoso. Mas algumas notícias surpreendentes mostram o quanto a área pública ainda precisa melhorar neste sentido.

Foi "descoberto", agora, em meio às obras, que não há rodovia que comporte o transporte dos equipamentos (vide aqui). Isso deveria ter feito parte da análise de viabilidade técnica do projeto. Isso deveria ter aparecido na análise de riscos. Como que depois da obra já estar em andamento, e do equipamento caríssimo ter chegado ao porto, é que isso vai ser avaliado?

Por outro lado, enquanto as empresas privadas buscam diminuir estoques, comprando exatamente o necessário, na quantidade necessária e no tempo necessário, buscando ser enxutas (Lean) em um processo Just in Time, a maior empresa nacional se dá ao luxo de comprar um equipamento caríssimo e deixá-lo encostado no porto enquanto avalia o que fazer para transportá-lo. É inacreditável o nível de ineficiência desse processo.

A empresa é gigantesca e isso pode não abalar seus balanços, argumentarão alguns. Mas a empresa também é pública, e esse despedício poderia ser revertido em maior lucratividade, a ser usada em melhor saúde e educação para os brasileiros.

Melhorar a gestão da área pública no Brasil é uma necessidade urgente e inadiável!

16
Set
2011

A invasão chinesa

O desafio agora é serviço

Falei em um post anterior sobre o absurdo que são os preços de carros no Brasil. E não há nenhum indício de que esse absurdo patamar de preços irá mudar. Agora que importados chineses começaram a pressionar a confortável indústria nacional, o governo lança um aumento imenso no IPI para eles, inviabilizando a competição. E os consumidores vão precisar continuar comprando carros populares simplórios no Brasil por preços de sedãs médios completos em outros países. Como reação, as  indústrias chinesas, provavelmente, irão avaliar a antecipação da vinda para solo brazuca, coisa que já estava planejada, conforme já discutir em outro post. Mas isso não é algo para o curto prazo.

Mas para as indústrias chinesas, e todas as outras entrantes no nosso mercado, conseguirem um espaço, elas vão precisar muito mais do que um produto. Elas precisarão garantir um padrão de serviço. Um caso, que ocorreu aqui onde moro, mostra como ainda é um grande risco comprar um produto de grande valor agregado como um carro de uma empresa sem tradição no país.

Uma marca chinesa que vende um clone do mini-cooper se instalou no meu distrito, com uma bela loja e oficina para manutenção. E fez suas vendas. Mas quem comprou, se deu mal. Poucos meses depois, a loja e a oficina foram fechadas. E restou um aviso, indicando que manutenções e revisões precisarão ser feitas em uma concessionária localizada em uma cidade que fica a algumas dezenas de km da minha. É claramente um desrespeito ao consumidor que acreditou naquele prestador de serviço.

Comprar uma caneta de 1,99 e jogá-la fora se tiver problema é razoável. Mas o modelo de negócios para carro é outro, o valor é muito significativo. Se as montadoras chinesas quiserem ganhar nosso mercado, vão precisar entender isso. E vão precisar garantir um padrão de serviços compatível com o que é oferecido pelas montadoras aqui estabelecidas.

14
Set
2011

Depoimento - Fernando Margato Alves, PMP

Começaremos uma série de depoimentos dos PMPs que foram nossos alunos, contando um pouco sobre como foi desde o início das aulas, os seus estudos, sua dedicação e como foi o dia da prova. 

O primeiro deles é de Fernando Margato Alves. Segue seu depoimento sobre todo o processo

"Meu nome é Fernando Margato Alves, fui aluno do curso de Preparação para Certificação da Unicamp/Auctus, prestei o exame no final de agosto/11 e obtive certificação. Vou tentar retratar aqui as experiências desse "processo":

Entre o primeiro dia de aula e a prova foram três meses. Estudei cerca de uma hora e meia à noite (não fins-de-semana) durante pouco mais de dois meses, principalmente pelo material recebido em aula (gostei muito do curso, o método é bastante efetivo e os professores são preparados), fazendo os simulados propostos e lendo o Use a Cabeça PMP. Achei esse livro bastante leve, didático e bom para o início da imersão nos estudos.

Três semanas antes da prova, conseguir tirar férias, fato esse que foi de extrema importância para meus estudos. Durante esse período, utilizei o livro da Rita e o considero o melhor para se preparar para o exame. Estudei o máximo de horas que consegui, de manhã, de tarde e à noite, inclusive nos fins-de-semana (foram somente três e vale a pena o esforço). Ao final de cada capítulo, eu fazia 50 exercícios do FastTrack (tenha esse programa de qualquer maneira!). Não sei por quantas horas estudei, mas mostra no FastTrack que fiz por volta de 1.000 exercícios. Embora pareça "conversa", realmente é melhor entender do que decorar, pois a matéria é extensa. Somente decorei quase toda a seqüência dos 42 processos, principalmente Planejamento.

Quanto a prova, não houve nenhum exercício idêntico aos simulados que fiz em classe ou aos da Rita. Mas foram do mesmo nível. Houve muitas perguntas de valor agregado, teorias motivacionais, tipos de contratos e sobre entradas, saídas e ferramentas de vários processos. Como acredito que aconteça com a maioria das pessoas, achei que houve muitas questões que eu não fazia idéia o que responder, talvez bem mais que aquelas 25 experimentais...

Fiz a prova em 3h45min. Não gosto muito de revisar a prova, embora seja recomendado, pois prefiro manter minha primeira resposta. Fiquei tranqüilo por quase toda a prova, acho que só fiquei nervoso no meio tempo entre o “End Test” e o resultado do exame, exatamente na hora que a empulhetinha fica rodando...

Como dica, digo que é bastante possível passar de primeira na prova, desde que haja um pouquinho de determinação e empenho. Boa sorte a todos.

Um abraço. Fernando.”

Mais uma vez, meus parabéns e muito sucesso, Fernando!

9
Set
2011

Parabenizações

Aproveitando este espaço, a Auctus e todos os instrutores gostariam de parabenizar nossos alunos que, recentemente, conquistaram a certificação PMP:

Ana Lucia Barreta
Ana Lucia Cipriano
Arlindo Seixas Neto
Eurico Gonçalves
Fernando Margato Alves
Humberto Bassan
Rafael Martins Buck de Godoy
Sacha Mannes

Desejamos muito sucesso nessa nova empreitada!

5
Set
2011

Um exemplo de ação na linha da gestão pública - Alfenas - MG

Já comentei neste blog sobre a ineficiência e ineficácia da gestão da área pública nacional. Este é um problema crônico e que muitos gestores evitam falar, por ser espinhoso. Mas é um problema que se não for resolvido, será, sempre, um gargalo que impedirá um maior desenvolvimento do nosso país.

Na última sexta-feira tive uma experiência muito alentadora.Fui convidado pelo comitê interno de Gestão da prefeitura de Alfenas (sul de MG) a participar de um evento ligado à gestão. Montar-se um evento com foco na melhoria da gestão da área pública já é uma raridade. Existir um grupo permanente preocupado com isto, é, realmente, uma grata surpresa. E o trabalho mostrou que tem base, tem consistência técnica, tendo o apoio de ótimos professores da universidade local, e, principalmente, contando com uma equipe comprometida, o que é essencial.

Mas o que mais me surpreendeu foi a fala do excelentíssimo senhor prefeito da cidade Luiz Antônio da Silva. Eu jamais tinha visto um gestor de área pública ser tão claro, tão direto, tão franco e tão objetivo. Ao colocar que um funcionário público tem como maior missão atender ao cidadãos, da forma mais respeitosa e prestativa possível, o sr. Luiz deixou clara a tônica de sua gestão. Ao pontuar que o foco deve ser sempre nos aproximarmos do povo para sentir dele as necessidades, colocou a estratégia, uma estratégia que sempre insistimos em cursos de gestão. E ao apresentar números objetivos e pedir o apoio explícito da equipe para resolver os pontos onde a situação estivesse mais crítica, vislumbrei uma gestão objetiva, baseada em fatos e dados, sendo conduzida por um prefeito do Brasil, algo que sinceramente sempre quis ver, mas nunca tinha visto nenhum sinal verdadeiro neste sentido. A fala do sr prefeito me fez lembrar das aulas iniciais dos cursos de Seis Sigma que leciono...

Tomara que esta ação da prefeitura de Alfenas continue indefinidamente e que sirva de exemplo para outras prefeituras do Brasil. E que o exemplo do sr. Luiz Antônio da Silva seja seguido por outros prefeitos, colocando o cidadão como o motivo maior de qualquer ação pública.

Parabéns a toda a equipe da Gespública, aos participantes do evento, à cidade de Alfenas e ao seu prefeito por essa iniciativa!

11
Jul
2011

Infraero e a boa gestão

É preciso melhorar muito a gestão da área pública

Existem dois conceitos muito importantes em gestão que são o conceito de Accountability e de Responsability. Infelizmente, não é fácil traduzir, porque ambos seriam traduzidos para "responsabilidade". Mas são coisas bem diferentes. Por isso, peço desculpas, mas vou usá-los em inglês mesmo.

Responsable é quem deve fazer alguma coisa. Digamos que eu pedi para um aluno meu avisar a sua classe que a data da prova mudou. Ele ficou responsable por isso.

Accountable é que é o responsável por que algo aconteça. Se o aluno em questão não avisar os colegas e eles faltarem na prova, a culpa é minha, sou eu que devo ser punido. Eu, como professor, sou o accountable por divulgar data e local de provas.O accountable não é quem faz, mas é quem vai levar a "bordoada" se a coisa não acontecer...

É bem claro isso para quem é consumidor: quando você compra um pão ruim na padaria, não quer saber se o problema é a farinha ou se o padeiro faltou. A accountability é da padaria e ela tem que resolver essa sua questão, sem querer ficar achando culpados.

Todo serviço deveria ter um accountable, alguém que se responsabiliza por ele. Mas a área pública normalmente se preocupa só em dividir tarefas, em definir "responsables", sem fazer o mais importante, que é indicar o accountable.

A Infraero mostra, de forma infeliz, que não conhece esses conceitos básicos de gestão. Está investindo uma fortuna em marketing em uma campanha chamada "Fique Sabendo". Essa campanha tem como foco mostrar para o público quem são os responsables pelo que ocorre no aeroporto: a campanha fica dizendo quem opera a esteira, quem carrega as malas, etc.

Vamos e venhamos, isso não interessa aos passageiros. Não me interessa saber quem opera as esteiras, não quero saber as responsabilities, isso é um problema interno deles. Eu quero saber a quem recorrer se minha mala não aparecer, quero saber as accountabilities. Mas isso a campanha não mostra.

O que sugere uma campanha como esta é que a Infraero está tentando, simplesmente, "tirar o dela da reta". Mas a emenda ficou pior que o soneto, porque o que a Infraero conseguiu com isso foi atestar que não tem conhecimento básico de gestão. E ainda gasta muito dinheiro público para divulgar esse desconhecimento para todos...


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